A INFLUÊNCIA DA TV NA ALIMENTAÇÃO

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No consultório observo que há um número crescente de crianças acima do peso. Temos que ficar atentos ao seguinte, a relação da televisão e do ganho de peso das crianças. Primeiro porque se elas estão assistindo tv, não estão em movimento, estão lá estáticas em frente a tv ou jogando vídeo game, outro ponto é que estão sendo expostas a alimentos açucarados, salgados e gordurosos que são anunciados nos comerciais.
Um alimento que geralmente é comercializado para crianças é o “cereal”. Geralmente este tipo de alimento é conhecido como “cereal matinal”. No comercial vemos cores vibrantes, personagens de desenho animado e o incentivo aos pais para comprar, com a garantia de conter uma série de vitaminas e minerais. Assim os pais enxergam aquele produto como uma escolha saudável e compram. No entanto, grande parte desses cereais não passam de “porcarias”, contém muita química e conservantes e suas vitaminas e minerais não são biodisponíveis, ou seja, o corpo não consegue absorver!
Recentemente li um artigo da Academy of Nutrition and Dietetics com o título “Propagandas de alimentos na televisão podem promover dieta desequilibrada”.
A palavra “desequilibrada” parece tão simples, mas nesse caso, podemos interpretar como “causadora de doenças”.
Um pequeno resumo do artigo:
Pesquisadores descobriram que uma dieta de 2.000 calorias que consiste inteiramente de alimentos anunciados na tv contém 25 vezes mais açúcar do que o recomendado e 20 vezes mais gordura que o recomendado, e menos da metade das porções de vegetais e frutas recomendadas. Na realidade, o excesso de açúcar e gordura é tão grande que, em média, comendo apenas um dos produtos alimentares observados já daria mais que três vezes as porções diárias recomendadas de açúcar e duas vezes e meia o limite de gordura para um dia.
“Os resultados deste estudo sugerem que alimentos anunciados na tv tendem a exceder a oferta de nutrientes associados a doenças crônicas (como por exemplo gordura saturada, colesterol e sódio) e ser escassos de nutrientes que nos mantém protegidos contra doenças (como por exemplo fibras, vitamina A, vitamina D, Cálcio e Potássio).”
Acho engraçado quando algumas pessoas dizem que não são influenciadas pelas estratégias de marketing, propaganda e promoções. Se elas realmente não fossem influenciadas, não iriam comprar tudo que foi anunciado ou que está com um “super desconto”.
A verdade é que não importa o que seja, se for bem trabalhado no marketing, será comprado com mais frequência, quando comparado a um produto similar que não teve marketing. Observe: Pringles vs Elma Chips Stax. Qual você conhece?
Por qual motivo as empresas gastam milhões de Reais se não irão influenciar pessoas a comprar? Elas não gastariam à toa! E se você acha que não é influenciado por esse marketing, milhares de outras pessoas são!
A publicidade e a propaganda em si não são ruins, mas a situação fica crítica a medida em que se promove as chamadas “junk foods” em uma escala muito maior quando comparada a promoção de frutas e/ou vegetais, ou seja, comida de verdade, para um público praticamente sem literacia midiática. Ou seja, eles simplesmente vêem um comercial como um comercial. E enquanto isso o Brasil vai subindo os degraus da epidemia da obesidade.
Há uma razão pela qual não vemos mais comerciais de cigarro na tv, eles não são permitidos atualmente! Justamente porque influenciavam o consumo e criavam associações positivas, mesmo sendo algo conhecido por causar uma série de malefícios à saúde.

Todos nós deveríamos pelo menos tentar tomar mais cuidado em relação ao que vemos e/ou ouvimos em propagandas, principalmente aquelas voltadas para crianças, e alertarmos o máximo de pessoas possível, a fim de evitarmos que nossas crianças se exponham a uma dieta “desequilibrada” como o artigo sugere.

Tudo isso me remete a uma frase de Michael Pollan, um autor muito conhecido nos Estados Unidos “ Não compre comida onde você compra gasolina, e evite alimentos anunciados na televisão.”

Ótimo conselho não é mesmo!?

Michael Mink; Alexandra Evans; Charity G. Moore; Kristine S. Calderon; Shannon Cosgrove “Nutritional Imbalance Endorsed by Televised Food Advertisements” Journal of the American Dietetic Association, Volume 110, Issue 6 (June 2010) Elsevier.